quarta-feira, 30 de julho de 2014

Após fim do prazo para acordo sobre dívida, Argentina entra em calote

Mediador nomeado pelos EUA confirmou calote do país após reunião em NY.
País não considera que esteja em calote técnico.

Do G1, em São Paulo
Acabou, no fim desta quarta-feira (30), o prazo para a Argentina conseguir um acordo com credores que se recusaram a negociar com desconto os débitos do país. Após a reunião com fundos que não aceitam renegociar a dívida, a Argentina entra em calote, confirmou o mediador nomeado pela Justiça dos Estados Unidos. "A República da Argentina não alcançou nenhuma das condições, e, como resultado, vai estar em default (calote)", afirmou Daniel A. Pollack, em comunicado divulgado à noite.
O ministro da Economia, Axel Kicillof, que participou da reunião, se disse surpreendido pelo comunicado. "Sinceramente, desconhecia o comunicado. Peço desculpas aos trabalhadores que estavam esperando atentamente o resultado dessas negociações", afirmou, segundo reportagem do jornal argentino "La Nación". "Me vejo surpreendido ingratamente pelo comunicado, que parece escrito para favorecer uma das partes."
Ao dizer que a Argentina "não alcançou nenhuma das condições", Pollack se referiu à negociação sem sucesso com os chamados "fundos abutres".
Esse grupo é formado por uma minoria de credores que não aceitaram a renegociação da dívida do país após o calote de 2001.
Eles entraram na Justiça dos EUA, exigindo receber de forma integral o que a Argentina lhes deve.
Essa briga dura vários anos e, no último dia 26 de junho, o juiz americano Thomas Griesa bloqueou o pagamento feito pelo governo argentino da parcela da dívida para os credores que aceitaram a renegociação.
A Argentina tinha um mês, após o vencimento, no último dia 30, para quitar essa parcela.
O calote é técnico e é diferente do calote de 2001 porque o país tem o dinheiro para pagar, mas está impedido pela Justiça.
Argentina não fala em calote
Após a reunião com os fundos, em Nova York, Kicillof repetiu que o país não considera que esteja em calote técnico. "Se fosse um default, o dinheiro não estaria depositado", disse, usando um argumento utilizado pela presidente Cristina Kirchner.

O ministro, que participou da reunião, afirmou que os "abutres" não aceitaram a proposta feita pelo país. Ele reiterou que não poderia fazer uma oferta diferente da negociada com os demais credores e que pediu a suspensão da sentença que bloqueia o pagamento da parcela. Ambas as propostas já haviam sido feitas ao longo da negociação. "Os fundos querem mais e agora", lamentou Kicillof.
O mediador Pollack considera que o calote não é uma condição técnica, já que afeta de forma real a vida das pessoas e dos investidores.
"Apesar de argumentos contrários, default não é uma condição meramente técnica, mas um evento real e doloroso que machuca pessoas reais: isso inclui os cidadãos argentinos comuns, os credores que renegociaram (que não vão receber os juros) e os que não renegociaram (que não receberão o pagamento determinado pela Justiça)", escreveu.
De acordo com a imprensa local e agências de notícias, uma outra tentativa de negociação com os fundos ainda teria sido conduzida pelos bancos privados argentinos, na noite desta quarta, mas também teria terminado mal. Os bancos estariam buscando comprar os títulos da dívida em poder dos fundos para evitar o calote. "Desabou tudo", disse à Reuters uma fonte com acesso às negociações.
'Calote seletivo'
Antes do anúncio do resultado da reunião, a agência de risco Standard&Poor´s rebaixou a nota de risco da Argentina e considerou que o país já estava em calote.

O calote só afeta os US$ 539 milhões que não chegaram a ser efetivados por estarem retidos no Bank of New York Mellon (Bony), por recomendação do juiz Griesa, que julga o processo de fundos especulativos contra a Argentina pela dívida em moratória desde 2001.
Por isso é considerado um "calote seletivo" pela Standard & Poor's. Ou seja, para a agência, o país fica inadimplente apenas em uma parte de suas obrigações financeiras. A S&P afirma que a nota poderá ser revisada se o país pagar a parcela da dívida.
Próximos passos
O mediador Pollack disse estar disponível para continuar a negociação. "Não é meu papel ou intenção apontar culpas de qualquer lado. Continuarei disponível para as partes para ajudá-los a chegar a uma resolução em que os interesses de todos sejam alcançados."

"Não vamos assinar nenhum compromisso que comprometa o futuro", afirmou Kicillof nesta quarta. "Se oferecemos mais aos abutres, todo o resto pode reclamar o mesmo."
A renegociação da dívida argentina tem uma cláusula chamada Rufo (Rights Upon Future Offers), que trata de direitos sobre ofertas futuras da renegociação. Ela dá a garantia de poder exigir as mesmas condições de qualquer outra eventual oferta voluntária futura aos chamados “holdouts” – aqueles que ficaram de fora da renegociação.
Assim, se a Argentina pagar 100% da dívida a algum credor, outros podem cobrar o mesmo. Esse item do contrato, no entanto, vence no dia 31 de dezembro, o que leva a muitos analistas a acreditarem que um acordo ou iniciativa de negociação não deverão acontecer antes de 2015.
Assim, segundo eles, um novo calote agora dificilmente provocaria impactos semelhantes ao da moratória de 2001. A avaliação é de que não se trata de um problema de falta de dinheiro e que a questão tende a ser resolvida num prazo de até 6 meses, quando expira a cláusula Rufo.
É consenso, entretanto, que a combalida economia argentina seria ainda mais enfraquecida, uma vez que a fuga de dólares tenderia a crescer, a moeda a se desvalorizar, a inflação a subir e o Produto Interno Bruto (PIB) a cair.
O ministro argentino Axel Kicillof faz sinal após sair da negociação com fundos especulativos em Nova York (Foto: Stan Honda/AFP)Ministro Axel Kicillof faz sinal após sair da reunião com fundos em Nova York. (Foto: Stan Honda / AFP Photo)
 
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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Papa implora pela paz no Oriente Médio e Ucrânia: ‘Parem, por favor!”

27/7/2014 14:38
Por Redação, com Reuters - de Roma

As crianças, vítimas mais importantes da violência em áreas de conflito, foram lembradas por Francisco
As crianças, vítimas mais importantes da violência em áreas de conflito, foram lembradas por Francisco
O papa Francisco fez um apelo emocionado pela paz neste domingo durante seu discurso semanal de Angelus na Praça de São Pedro. Quando o pontífice argentino encerrava o seu discurso habitual para os fiéis, ele falou sobre o centenário do início da Primeira Guerra Mundial, que está se aproximando, e disse que seus pensamentos estavam no Oriente Médio, no Iraque e, especialmente, na Ucrânia.
Com a voz aparentemente emocionada, o papa saiu do script do seu discurso, para fazer um apelo direto pelo fim dos combates:
– Parem, por favor! Eu lhes peço de coração, está na hora de parar. Parem, por favor!
Embora ele não tenha feito nenhuma referência direta à situação na Faixa de Gaza, os comentários vieram depois que uma trégua humanitária foi quebrada neste domingo com a retomada dos combates, em que mais de mil pessoas, a maioria civis, incluindo dezenas de crianças, foram mortas.
– Irmãos e irmãs, nunca a guerra, nunca a guerra. Estou pensando principalmente nas crianças que estão sendo privadas da esperança de uma vida digna, de um futuro. Crianças mortas, crianças feridas, crianças mutiladas, crianças órfãs, crianças cujos brinquedos são coisas que sobraram da guerra, crianças que não conseguem mais sorrir – lamentou.




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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Conferência da AIDS acontece sob a sombra da queda do avião da Malaysia Airlines

20/7/2014 11:53
Por Redação, com DW - de Melbourne, Austrália

Mais de cem pesquisadores e ativistas morreram na queda do avião da Malaysia Airlines, provavelmente abatido na Ucrânia
Mais de cem pesquisadores e ativistas morreram na queda do avião da Malaysia Airlines, provavelmente abatido na Ucrânia
Proeminentes especialistas em AIDS, cientistas e seus assistentes estavam a bordo do voo MH17 a caminho da 20ª Conferência Internacional sobre a AIDS que acontece em Melbourne, na Austrália. A notícia da queda do avião chocou a todos, principalmente os participantes do evento.
Apesar disso, a conferência foi mantida e, até 25 de julho, será debatido, tanto quanto possível, o lema: “Passos rumo a um mundo sem AIDS”. O evento começou neste domingo com um minuto de silêncio em memória das vítimas.
A bordo do voo MH17 estavam especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS), do AIDS Fonds, da organização Stop AIDS Now, do Instituto de Saúde e Desenvolvimento Global de Amsterdã, além de pesquisadores holandeses, informou a Sociedade Internacional da AIDS (IAS, na sigla em inglês).
Segundo a IAS, o logotipo do evento, quatro pés estilizados por fitas, representa uma maior compreensão científica, médica e social e que pessoas de diferentes idades e sexos são afetadas pela AIDS, mas que todos vão pelo mesmo caminho.
Prevenção abrangente
Pessoas com HIV/AIDS não devem ser discriminadas ou estigmatizadas. Essa exigência é um ponto central da atual conferência. Cerca de 12 mil participantes irão discutir e trocar ideias sobre a situação e o desenvolvimento de pesquisas na área. Enquanto a doença ainda continua sem cura, a profilaxia ocupa cada vez mais o centro das atenções.
A conferência irá tratar de medicamentos que impedem a propagação do vírus no organismo. Na agenda do evento está a chamada profilaxia pré-exposição, afirmou o especialista Norbert Brockmeyer. Segundo ele, com essa medida, uma boa parte das infecções pode ser evitada.
- A forma como nós, seres humanos, podemos nos proteger do HIV ganhará mais importância. Isso inclui também o cuidado com as crianças. Como elas podem ser protegidas, especialmente nos países em desenvolvimento? Como podemos oferecer às mães melhores cuidados? Trata-se de questionamentos medicinais, mas também sociais, que serão discutidos e para os quais os cientistas têm de encontrar respostas  declarou Brockmeyer.
Sucessos e fracassos
Poucos dias antes do início da conferência, a ONU divulgou novos números sobre a doença. No ano passado, houve cerca de 2,1 milhões de novas infecções pelo vírus HIV. O número de pessoas que morreram de AIDS diminuiu mundialmente em 200 mil, caindo para 1,5 milhão.
Políticos e governos nacionais têm grande importância na discussão em torno do HIV e da AIDS. Principalmente, quando se trata das diretrizes sobre como lidar com os grupos de risco, que foram publicadas pela OMS, em meados de julho. Os principais pontos são a discriminação e o estigma de homossexuais, transexuais, prostitutas e viciados em drogas.
Em alguns países, tais pessoas são discriminadas até mesmo em nome da lei. Brockmeyer disse estar convencido de que, assim, o vírus tem uma chance muito maior de se propagar.
Declaração de Melbourne
“Ninguém deixado para trás” é o título da chamada Declaração de Melbourne, que já havia sido concebida antes do evento e deverá ser aprovada no final da conferência. Um fim à discriminação e ao estigma também é um requisito fundamental. Os autores exigem que todos os governos estabeleçam legalmente a igualdade de tratamento para os grupos de risco e que garantam a todos o mesmo direito de prevenção, terapia e esclarecimento.
- Quanto mais pessoas se informarem sobre o HIV/AIDS e quanto melhor forem as campanhas de esclarecimento, mais elas se protegem. E quanto maior a frequência da aplicação de medicamentos antirretrovirais, menos pessoas serão infectadas pelo vírus – opinou Brockmeyer.
Muitas organizações em todo o mundo se juntaram à Declaração de Melbourne, entre elas, o Fundo Global de Luta contra AIDS, Tuberculose e Malária, as organizações francesas Sidaction e Aides, como também a rede AIDS Action Europe.
Ainda deve demorar para que sejam desenvolvidos uma vacina ou um remédio eficaz para a cura da aids. Mas Brockmeyer disse estar convencido de que “estamos no caminho certo.”
O especialista afirmou ainda estar seguro de que a queda desastrosa do avião e a morte de tantos colegas fará com que os pesquisadores se esforcem de forma ainda mais intensa, de acordo com o espírito das vítimas.

sexta-feira, 18 de julho de 2014


domingo, 13 de julho de 2014

Queda de peças de avião da TAP causa danos em viaturas e habitação

foto Gonçalo Villaverde/Global Imagens
Queda de peças de avião da TAP causa danos em viaturas e habitação
Viatura danificada em Camarate
 
Duas viaturas e uma habitação em Camarate, Loures, ficaram, este sábado de manhã, danificadas depois de várias peças terem caído de um avião da TAP, quando o aparelho descolava com destino ao Brasil.
Segundo fonte do comando de Lisboa da Polícia de Segurança Pública (PSP), foram recolhidas no local 30 peças, a maior das quais com cerca de quatro centímetros, depois de testemunhas terem dado conta do incidente junto da esquadra de Camarate.
A mesma fonte disse que, na sequência da queda das peças do avião da TAP, duas viaturas ficaram com os vidros partidos e uma habitação ficou com os estores danificados.
Acrescentou, ainda, que não houve registo de feridos, apenas danos materiais.
O incidente aconteceu por volta das 10.30 horase, segundo fonte da TAP contactada pela Lusa, envolveu um Airbus 330 com 268 pessoas a bordo que seguiam com destino ao Brasil.
A mesma fonte da TAP disse também que o avião teve um problema num reator e que o aparelho foi entregue às equipas de manutenção, estando imobilizado para ser avaliado e reparado.
Afirmando que o avião aterrou no aeroporto da Portela por volta das 11.30 horas e que "tudo correu bem na aterragem", a mesma fonte disse que a companhia aérea está agora a procurar "a solução mais rápida" para levar os passageiros a São Paulo.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O maior gol de placa da história

6/7/2014 15:00
Por Urariano Mota, de Recife

Astro da seleção de futebol do Chile, Carlos Caszely, o popular El Chino, se negou a apertar a mão do ditador Augusto Pinochet, numa cerimonia oficial.
Astro da seleção de futebol do Chile, Carlos Caszely, o popular El Chino, se negou a apertar a mão do ditador Augusto Pinochet, numa cerimonia oficial.
Entre as imagens que nos vêm a partir do 11 de setembro de 1973, do dia em que houve o golpe militar contra Salvador Allende, entre tantas imagens vivas, uma poderia ser, com razão, do presidente Allende resistindo de capacete em ultimo recurso, com alguns fiéis militantes às portas do palácio La Moneda. Essa imagem fala de um socialista democrata, que pela força das urnas julgava ter o poder, que é destruído ao fim, derrotado com a eloquência maior de bombas e crimes.
Outra imagem poderia ser também a que correu mundo, dos livros sendo queimados por soldados do exército nas ruas do Chile. Em um país de grandes poetas e tradição humanista, essa foto escapou do paradoxo, porque ela se fez coerente com o assassinato do poeta Pablo Neruda pela ditadura. E depois, essa imagem dos livros no fogo é tão simples e pornográfica, ao mesmo tempo de tamanho didatismo sobre a ideologia fascista no seu carbono Pinochet, que um comentário passaria pelo já visto, ao lembrar e repetir ações de Hitler a Franco, todos ótimos queimadores de escritores, livros e inteligência.
Então falo rápido sobre uma imagem e personagem que marcam também. Não são muito divulgados no Brasil um gesto, a pessoa e o valor de Carlos Caszely. Ele foi um craque do futebol chileno. A wikipédia informa que Carlos Caszely é o jogador mais popular e querido da história do Colo-Colo e do Chile. Até hoje é chamado de El Chino, El Rey del Metro Cuadrado, ou de El Gerente. Mas o seu maior feito é este: astro da seleção de futebol do Chile, em cerimônia oficial dentro do palácio, no vigor de mortes e fuzilamentos de opositores, Carlos Caszely se negou a apertar a mão do ditador Augusto Pinochet.
Ou como ele próprio fala desse momento raro e belo, anos depois: “Eu ouvi passos. Foi pavoroso. De repente as portas se abriram. Apareceu uma figura vestindo uma capa, de óculos escuros e quepe. Tinha uma cara amarga, suja, dura. Ele foi cumprimentar cada um dos jogadores qualificados para a Copa. Quando ele se aproximou, eu botei minhas mãos atrás das costas. Ele estendeu sua mão, mas recusei a apertar. Como ser humano aquela era minha obrigação. Tinha todo um povo sofrendo nas minhas costas”. Mas que coisa.
As razões do gesto, desse heroísmo, são anteriores. Não foi um impulso louco. Antes, o jogador havia sido ligado ao ex-presidente Salvador Allende, socialista como o presidente morto. Depois do golpe, Caszely se transferiu para o futebol espanhol. E o que faz a canalha do regime no Chile? Perto da Copa de 1974, os militares sequestram, prendem e torturam a mãe do jogador. Supõe-se que isso era uma tentativa de calar Caszely e obrigá-lo a jogar pela seleção chilena. Entre os perseguidos da ditadura, ele era o principal jogador do futebol chileno, estrela do Colo-Colo e da seleção. Ele achou o ato de tortura na mãe tão estúpido, que declarou recentemente:
“Ainda hoje não está claro por que fizeram aquilo. Eles a prenderam e torturaram selvagemente, e até hoje não sabemos de que ela era acusada. Recordo un país triste, calado, silencioso, sem risos. Uma nação que entrava nas trevas. Eu sabia o que viria de cima. Eu tinha medo. Não por mim, mas por meus amigos e por mina familia. Eu sabia que estavam em perigo por minhas ideias”. Então sua mãe é presa, torturada e solta, sem qualquer acusação. E pouco depois o jogador se encontra cara a cara com o ditador, na despedida para a Copa de 1974 na Alemanha. Então ele põe as mãos para as costas, enquanto Pinochet se aproximava a cumprimentar um a um. Ele foi o único a rejeitar o ditador.
Enquanto escrevo, ao lembrar esse ato, sinto um cheiro de perfume, daqueles inesquecíveis, cujo cheiro e composição química vêm apenas da lembrança que cerca um gesto. Naquele maldito e mágico ano de 1973, quando o mundo conhecido vinha abaixo, no momento exato em que grandes eram as esperanças, houve esse gesto de Caszely tão pouco ou nada divulgado. Soube faz pouco tempo. Mas que coragem, podíamos dizer. E aqui, se espaço houvesse, deveríamos discutir o quanto estão errados os que julgam ser a coragem um atributo de valentões, de homens que zombam do perigo. Não é. A coragem é a fidelidade ao sentimento de honra, dever ou amor. Por isso dizemos: que afeto e grandeza em ser fiel ao mais íntimo sentimos naqueles braços para trás de Caszely, enquanto avançava contra ele o ditador. Com certeza, o jogador tremia, mas não podia ainda assim ceder à mão de Pinochet no cumprimento.
Não sei, mas esse me parece o maior gol de placa da história.
Urariano Mota, escritor e jornalista. Autor do romance Soledad no Recife, sobre o assassinato pela ditadura brasileira da militante paraguaia Soledad Barret, grávida, depois de traída e denunciada por seu próprio amante o Cabo Anselmo. Escreveu também O filho renegado de Deus e seu livro mais recente é o Dicionário Amoroso do Recife. Seu primeiro livro foi Os Corações Futuristas, um romance na época do ditador Garrastazu Médici. Na juventude publicou artigos, contos e crônicas nos jornais Movimento e Opinião.
Direto da Redação é editado pelo jornalista Rui Martins.